terça-feira, 1 de julho de 2008

Relações de gênero em debate na UERJ




O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e o Núcleo de Estudos sobre Desigualdades Contemporâneas e Relações de Gênero (Nuderg) realizarão, nos dias 14 e 15 de julho, o curso de extensão “Gênero, relações familiares e direitos: histórico e tendências”, no campus do Maracanã.

Pesquisadores da Uerj e de instituições convidadas, como UFRJ, IBGE e a organização não-governamental Cepia, irão discutir as relações de gênero na sociedade contemporânea sob os pontos de vista da cultura, poder, religião, gerações, família, trabalho e Direito. O curso será realizado na sala RAV 94, no 9º andar do Pavilhão Reitor João Lyra Filho, bloco F, campus do Maracanã, de 9h às 18h.

A professora Felícia Picanço, uma das coordenadoras do curso, destaca que a questão de gênero passou da luta por espaços na esfera pública para a discussão dos espaços que são ocupados e a forma como isso ocorre. “A questão, hoje, deixa de ser centrada apenas na mulher e nas demandas por ocupar os espaços e passa a enfocar as relações entre homens e mulheres nesses espaços”, diz. Segundo Felícia, a universidade tem o papel de produzir conhecimento sobre esse processo para estimular o debate na sociedade e influenciar as políticas públicas da área.

Os interessados em participar do curso devem enviar e-mail para nuderg.inscricao@gmail.com
até o dia 4 de julho solicitando a ficha de inscrição. Os participantes receberão certificados.

CULTURA POPULAR


Em alta, Saci contrapõe Raloim

Um espectro insiste em rondar a cultura. É o Saci, que teima em dar nós na crina da indústria cultural. O saci renasce como símbolo de resistência às festas de Dia das Bruxas que tomam conta do país.

O saci renasce como símbolo de resistência à invasão pasteurizada e orquestrada. É cultura popular, essencial à identidade de um povo. Na simpática figura do travesso perneta e de seus amigos, Curupira, Boitatá, Iara, entre outros, crescem as manifestações contra-hegemônicas que resistem ao apagamento, no imaginário do povo, da tradição oral. Diz o Manifesto do Saci (leia íntegra aqui) que “a história de todas as culturas até hoje existentes é a história de opressores e oprimidos. Hoje, como ontem, o Saci apóia, em qualquer lugar e em qualquer tempo, qualquer iniciativa no sentido de contestar a arrogância, a prepotência e a destruição de que é portadora a indústria cultural do império”.

Dia do Saci

Com o objetivo de diminuir a importância da comemoração do Halloween no Brasil, foi criado em caráter nacional, em 2005, o Dia do Saci ( 31 de outubro). Uma forma de valorizar mais o folclore nacional, diminuíndo a influência do cultura norte-americana em nosso país.


Adaptado da Agência Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12679

DE VOLTA À GUERRA FRIA


Ação do MP gaúcho contra MST repete discurso anti-comunista pré-1964

Dois promotores do MP-RS acusam MST de "práticas criminosas" e de "ameaçar a segurança nacional", citando um "notável trabalho de inteligência". Baseado em matérias da imprensa e em relatos do serviço secreto da PM gaúcha, o trabalho fala, em tom de denúncia, da presença de livros de Florestan Fernandes e Paulo Freire, entre outros autores, nos acampamentos do MST e acusa "fraseologia agressiva inspirada no bloco soviético".

PORTO ALEGRE - A inicial da ação civil pública apresentada pelos promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, pedindo a desocupação de dois acampamentos do MST, próximos à fazenda Coqueiros (região norte do Estado), parece uma peça saída dos tempos da ditadura, reproduzindo a paranóia delirante anti-comunista dos anos 50 e 60 que alimentou e deu sustentação ao golpe militar no Brasil. A Vara Cível de Carazinho deferiu a liminar requerida pelo MP. Na avaliação dos promotores, os acampamentos Jandir e Serraria são “verdadeiras bases operacionais destinadas à prática de crimes e ilícitos civis causadores de enormes prejuízos não apenas aos proprietários da Fazenda Coqueiros, mas a toda sociedade”. Essa terminologia resume uma lógica de argumentação que muitos julgavam estar extinta no Brasil.

Na primeira página da inicial da ação, os promotores comunicam que seu trabalho é resultado de uma decisão do Conselho Superior do Ministério Público do RS para investigar as ações do MST que “há muito tempo preocupam e chamam a atenção da sociedade gaúcha”. O documento anuncia que os promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto realizaram um “notável trabalho de inteligência” sobre o tema. Uma nota de rodapé define o trabalho de “inteligência” realizado nos seguintes termos:

O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.883/99, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência e criou a ABIN, definiu a inteligência como sendo “a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado”.

O relatório que segue faz jus a esse conceito, apresentando o MST como uma ameaça à sociedade e à própria segurança nacional. O resultado do trabalho de inteligência inspirado nos métodos da ABIN é composto, na sua maioria, por inúmeras matérias de jornais, relatórios do serviço secreto da Brigada Militar e materiais, incluindo livros e cartilhas, apreendidas em acampamentos do MST. Textos de autores como Florestan Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes, José Marti e Che Guevara são apresentados como exemplos da “estratégia confrontacional” adotada pelo MST. Na mesma categoria, são incluídas expressões como “construção de uma nova sociedade”, “poder popular” e “sufocando com força nossos opressores”. Também é “denunciada” a presença de um livro do pedagogo soviético Anton Makarenko no material encontrado nos acampamentos.


As subversivas Ligas Camponesas e o “movimento político-militar de 1964”


Na introdução da ação, os promotores fazem um “breve histórico do MST e dos movimentos sociais”. Esse histórico se refere à organização do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master) no Rio Grande do Sul, nos anos 1960, e à “atmosfera de crescente radicalização ideológica”. As Ligas Camponesas de Francisco Julião, em Pernambuco, são acusadas de “sublevar o campo e incentivar a violência contra os proprietários de terra, criando um clima de guerra civil”. Essa “agressividade”, na avaliação dos promotores, contribuiu para o “movimento político-militar de 1964”. O “movimento político-militar de 1964” a que os promotores se referem é o golpe militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, suprimiu as liberdades no país e deu início à ditadura militar.

Logo em seguida, a ação apresenta uma caracterização do MST, toda ela baseada na visão de uma única pessoa, o sociólogo Zander Navarro.

(que desautoriza a instituição, se solidariza com o MST, afirmando que seus textos foram distorcidos - Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/06/423446.shtml)

O trabalho de inteligência dos promotores também se baseia, em várias passagens, em uma “revista de circulação nacional” (Veja) e em matéria críticas ao MST publicadas em jornais como Folha de São Paulo, Zero Hora e Estado de São Paulo, entre outros. Após apresentar um “mapa” dos movimentos sociais no campo brasileiro, os promotores questionam, em tom de denúncia, as fontes de financiamento público desses movimentos. Eles revelam que “o Ministério Público encaminhou um questionamento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, acerca da existência ou não de alguma fonte de financiamento ou ajuda, direta ou indireta, aos participantes do MST acampados no Rio Grande do Sul”.

Os promotores citam ainda o relatório da CPMI da Terra, realizada no Congresso Nacional, sustentando que há malversação de verbas públicas, “pelo repasse de dinheiro público efetuado diretamente pelo Incra, na forma de distribuição de lonas, cestas básicas e outros auxílios”. Além disso, citam a “doação de recursos por entidades estrangeiras, notadamente organizações não-governamentais ligadas a instituições religiosas, como a organização Caritas, mantida pela Igreja Católica”. E identificam, em tom crítico, a rede de apoio internacional ao MST que mostraria ao público estrangeiro “uma visão do Brasil frontalmente crítica à atuação do Poder Público e inteiramente de acordo com os objetivos estratégicos do MST”. Citando o jornal Zero Hora, os promotores apontam que a Escola Florestan Fernandes (do MST) foi construída “com vendas do livro Terra, com texto do escritor português José Saramago, fotografias de Sebastião Salgado e um disco de Chico Buarque, além de contribuições do exterior”.



Mídia, PM 2 e Denis Rosenfield: as fontes da argumentação dos promotores

Ao falar sobre a estratégia do MST, os promotores valem-se de relatórios do serviço secreto da Brigada Militar (a PM2). O relatório do coronel Waldir João Reis Cerutti, de 2 de junho de 2006, afirma que os acampamentos do movimento são mantidos com verbas públicas do governo federal, recursos de fontes internacionais e até das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O coronel Cerutti não apresenta qualquer comprovação da existência do “dinheiro das FARC” e segue falando da suposta influência da guerrilha colombiana sobre os sem-terra. Segundo ele, o MST estaria planejando instalar um “território liberado” dentro do Estado: “Análises de nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal “convênio”, que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada e o MST e Via Campesina, tudo ou quase tudo”.

Em seguida é apresentado um novo relatório do Estado Maior da Brigada Militar sobre as ações do MST no Estado. Esse documento pretende analisar a “doutrina e o pensamento” do MST, identificando, entre outras coisas, as leituras feitas pelos sem-terra. Identifica um “panteão” de ícones inspiradores do movimento, “a maior parte ligada a movimentos revolucionários ou de contestação aberta à ordem vigente” (onde Florestan Fernandes e Paulo Freire estão incluídos, entre outros). E fala de “uma fraseologia agressiva, abertamente inspirada nos slogans dos países do antigo bloco soviético (“pátria livre, operária, camponesa”)”. A partir dessas informações, os promotores passam a discorrer sobre o caráter “leninista” do MST, invocando como base argumentativa o livro “A democracia ameaçada – o MST, o teológico-político e a liberdade”, de Denis Rosenfield, que “denuncia” que o objetivo do movimento é o socialismo.

Para os promotores, “já existem regiões do Brasil dominadas por grupos rebeldes” (p. 117 da ação). A prova? “A imprensa recentemente noticiou....” (uma referência as ações da Liga dos Camponeses Pobres, no norte do Brasil). Em razão da “gravidade do quadro em exame”, concluem os promotores, “impõe-se uma drástica mudança na forma de trato das questões relativas ao MST e movimentos afins”. A conclusão faz jus às fontes utilizadas no “notável trabalho de inteligência”: “o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não constitui um movimento social, mas, isso sim, um movimento político”. O MST, prosseguem os promotores, “são uma organização revolucionária, que faz da prática criminosa um meio para desestabilizar a ordem vigente e revogar o regime democrático adotado pela Constituição Federal”. Em nenhum momento da ação, o “notável trabalho de inteligência” dos promotores trata de problemas sociais no campo gaúcho.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

UERJ na Praça



“Uerj na Praça” vai oferecer serviços da Universidade em plena praça pública

Servidores docentes e técnico-administrativos da Uerj decidiram, em assembléia conjunta em 25/06, realizar novo ato na quarta-feira, dia 2 de julho. A atividade chamada de “Uerj na Praça” vai acontecer na praça Maracanã, em frente à Igreja do Divino Espírito Santos. A partir das 10h, serão oferecidos à população diversos serviços realizados pela Universidade. O objetivo é mostrar ao público o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores da Uerj. Também haverá a distribuição de uma “carta à população” a fim de envolver a comunidade na luta pelo reajuste.

O MDPQ participará da atividade, levando serviços de assistência e assessoria jurídica à população. É uma forma de levar a produção acadêmica da UERJ à comunidade, mantendo assim a referência social da universidade, que arrecada suas verbas através de fração do Orçamento estatal aprovada na ALERJ, oriundos de impostos pagos pelos fluminenses.

Adaptado do Boletim do Sintuperj

http://www.sintuperj.org.br/boletim/boletim10.htm

Servidores mantêm Estado de Greve




Servidores técnico-administrativos da UERJ decidiram, em assembléia no dia 24, manter o Estado de Greve.

De acordo com dados publicados em diversos jornais, o orçamento do governo cresceu 68% de 2007 para 2008. Obteve, portanto, um superávit de R$1,3 bilhão. Estes números são suficientes para provar que não há necessidade de se esperar uma melhora nos cofres estaduais para reajustar os salários dos servidores da Uerj, como alegado pelo governo. Dinheiro tem. O que falta é compromisso com a universidade.

Até agora, o Sintuperj e a Asduerj não receberam uma proposta de reajuste. As perdas salariais dos trabalhadores da UERJ baseadas na média dos índices do Dieese, FIPE e FGV alcançaram, no mês de abril, 68,34%.

Quanto aos alunos, sofremos com a ausência do já aprovado mas não implementado bandejão, com as escassas e baixas bolsas, com a péssima infraestrutura dos campi, com a falta de professores... Para que sejam investidos recursos a fim de recompor todos os anos de sucateamento e possamos planejar a vida da universidade, é necessário que se exijam os 6% do orçamento do RJ, como manda a Constituição Estadual.

Por telefone, no último dia 18, o governador afirmou que o reajuste sai no segundo semestre. É muito vago. É muito pouco. Essa resposta foi fruto da pressão feita em frente ao Palácio Guanabara. Na ocasião, os servidores da Uerj, faziam uma paralisação de 24 horas.

Adaptado do Boletim do Sintuperj

http://www.sintuperj.org.br/boletim/boletim10.htm


domingo, 29 de junho de 2008

Dia da luta contra a tortura


Hoje, Dia Internacional da Luta Contra a Tortura, às 18h, haverá um seminário intitulado Reparação e Memória. Na ocasião, será lançado um livro - "Atención integral a victimas de tortura en procesos de litigio: aportes psicosociales", organizado pelo Instituto Interamericano de Direitos Humanos IIDH Costa Rica. O encontro será no Auditório Prof. Manoel Maurício de Albuquerque, no CFCH/UFRJ, que fica na Av. Pasteur, 250 fundos.

Retirado do Boletim do Sintuperj

http://www.sintuperj.org.br/boletim/boletim10.htm

sábado, 28 de junho de 2008

Vitória da Chapa 2 no DCE











A Chapa 2 – "Nada será como antes" venceu as eleições do DCE/2008 com 2382 votos, contra 2032 da Chapa 1 – "Camarão que dorme a onda leva", segunda colocada.

A Chapa 2 – "Nada será como antes" foi construída pelos coletivos "Direito Para Quem", "Moinho", "Contraponto", "Ciranda", "Dias de Luta", "Conlute Uerj", "Os incomodados é que mudam" e com apoio de diversos Centros Acadêmicos combativos da UERJ.

A gestão assumirá com majoritariedade, que venceu o plebiscito com 3135 votos, contra 2045 da proporcionalidade.

A composição das chapas para o CONSUNI ficou: 4 membros da chapa 2 (eleita no CEH e CBIO), 2 membros da chapa 3 (pelo CTC) e 2 membros da chapa 1 (pelo CCS).

Para o CSEPE, ficaram: 3 membros da chapa 2 (2 eleitos no CEH e CBIO e a terceira vaga da segunda chapa percentualmente mais votada de todos os centros – no caso, chapa 2 no CCS), 1 membro da chapa 3 (pelo CTC) e 1 membro da chapa 1 (pelo CCS).

O resultado aqui explicitado não é oficial pois este será dado pela comissão eleitoral oportunamente. Os dados aqui publicados foram fornecidos por Bruno Freitas, aluno do Direito e membro da comissão.

Abaixo, a planilha geral detalhada com a votação total do DCE e por centro e conselho.

A Chapa 2 – "Nada será como antes" agradece os votos e o apoio recebido e reafirma seu compromisso com a universidade pública e com a gestão transparente, democrática, participativa e integrada com os centros acadêmicos.