quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PAPEL DOS ESTUDANTES NA LUTA POR UM NOVO MODELO DE CIDADE

(Aulaço Popular - estudantes visitam a comunidade do Metrô, que está sendo removida. Ao fundo, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Cresce a opressão, cresce a resistência! Em assunto de direito à cidade, especialmente no que tange a moradia, os movimentos sociais organizados lutam por uma reforma urbana em outros parâmetros. Contra a segregação em curso militam esses movimentos e é ao seu lado que devemos estar. Precisamos de um projeto que não seja baseado em interesses particulares de grandes empresários e especuladores. Os mega eventos devem acontecer e significar bem estar geral e não enriquecimento de poucos.

A cidade que queremos deve ter como fim garantir a satisfação das necessidades das pessoas, principalmente das classes mais pobres, que hoje vivem em uma “Cidade de Exceção”, onde os direitos são restritos pela força e pela ignorância. Onde, muitas vezes, o controle populacional é realizado através das armas, como nas comunidades com varejo armado da droga; nas comunidades com UPP’s, onde os fuzis estão em tão violentas mãos; e nas comunidades que vivem sob o terror da milícia.

É contra isso que devem agir os estudantes. E o principal instrumento para essa ação é a universidade. Ela pertence à cidade e deve funcionar para sua transformação e emancipação. Devemos abrir a academia aos movimentos, aprendendo e atuando com eles organicamente. Nas entidades de base, como Centros Acadêmicos e DCE’s, devemos representar suas lutas. Não vamos aceitar viver sob os brados da civilização em barbárie. Regredir nessa questão é abrir espaço para uma cidade cuja população vai ser subjugada pela exceção permanente, pelo medo e, principalmente, pelo capital.

4 comentários:

Idéias do Canossa disse...

Os estudantes podem e devem fomentar as ideias que serão o nosso futuro. Contudo eleger culpados (sempre os mesmos) especuladores, capitalistas, milícias, governos... nunca nossa omissão que permite as coisas se arrumarem sem a nossa intervenção é muito fácil. Se não temos culpa, não podemos ser responsabilizados.
Comecemos com o essencial, que um movimento para regularizar a situação fundiária das comunidades, com títulos de propriedade. A partir daí, exigir urbanização, com indenizações e abrindo caminho para os investimentos privados, melhorando as habitações, instalando empresas, gerando serviços, empregos, segurança.
Culpar o outro não é solução, quando buscamos acordos que sejam bons para todos.

Diogo Flora disse...

Os culpados que elegemos não o faram por especulações filosóficas e sim pelo voto. Há regulamentações legais em todos os níveis, desde a Lei Orgânica do Município até a Constituição Federal, mas são ignoradas pelo administrador, que responde só aos empresários que bancaram sua campanha. E não sei onde está a omissão que a amigo fala, porque o que vejo são comunidades inteiras brigando por sua dignidade e seu direito à moradia. Na teoria é fácil propor soluções, mas a vida real é bem mais cruel. Os elementos privados não querem a melhoria da favela, querem a sua remoção, para especularem com a terra. O caminho pode até passar, algumas vezes, por negociações, mas é somente a luta que garante os direitos do povo.

PEDRO RICARDO MAXIMINO disse...

O que está por trás do protesto contra a partilha dos royalties?

Os desviogovernos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, principalmente, sustentam um discurso que, embora considerável em sua validade formal, apresenta vícios em seu conteúdo, que se baseia em ameaças, como a de que faltará dinheiro para tudo e que a causa de todos os males será a partilha dos royalties.

Uma pergunta que não quer calar: para onde está indo a prosperidade de que já dispomos há tempos e aquela adiantada e com a qual antecipadamente contamos, inclusive para eventos, festas e farras financeiras e ilícitas ilicitações de alicitações?

É evidente que o dinheiro vaza em todos os entes ou níveis federativos, mas é nos muros e nos raríssimos espaços independentes que o sentimento popular se revela: “Cidade olímpica, Estado rico, país próspero para quem?”
Como bem ressaltaria o valoroso movimento da Faculdade de Direito da UERJ: “Direito para quem?”

Universidades despedaçadas, professores vilipendiados, policiais e bombeiros humilhados continuamente, saúde que reflete um estado de nojo, desumanidade, ou, nas palavras mais sinceras de Sérgio Cabral Filho, genocídio.

Claro, tudo será culpa dos royalties.

Evidente que tudo será culpa da crise, e os mais pobres, oprimidos e conduzidos que se manifestem e que sofram todas as consequências da nossa baderna financeira de desmoralizante falta de vergonha na cara, da qual fluem pirotecnicas políticas que visam majoritariamente ao enriquecimento dos escolhidos e deixam legados diminutos (se é que deixarão) para uma população que sonha com o atendimento tardio das suas demandas emergencialmente ludibriadas.

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TRANSPORTE PÚBLICO NO RIO

Ontem, no Rio, mais uma vez o trem do ramal Santa Cruz da eterna SUPERVIA quebrou superlotado de trabalhadores (idosos, grávidas, deficientes inclusive) que foram mais uma vez obrigados a andar sobre a linha e perder mais horas de trabalho que fazem diferença no final do mês, a espera de outros trens tão superlotados que ninguém conseguia entrar. As poucas e lotéricas composições em boa condição aparente circularam com as portas abertas mais uma vez, porque simplesmente não cabia mais ninguém e dois corpos humanos não podiam, naquelas condições, ocupar o mesmo lugar no espaço.
Eu vi tudo. Eu estava lá.

E estou agora, nesta noite do dia 10 de novembro de 2011, no Centro do Rio de Janeiro, seguindo de ônibus para Belo Horizonte, enquanto o carnaval de protestos de seletos interessses orquestrados acontece.

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Mudando de assunto, mas não muito, imagem e realidade…

A recusa de propina e a prisão de traficantes sempre pega muito bem, mas a escolta por outros policiais é um indício do que está submerso neste iceberg.

PEDRO RICARDO MAXIMINO disse...

Denunciem. Façam. Não se calem. Participem. Lutem sempre por justiça.

Sou e sempre serei um DPQ (BRAVO DIREITO PARA QUEM?)

Estou sempre no blog do nonagenário guerreiro incansável Hélio Fernandes.

www.tribunadainternet.com.br

Componente, mas indispensável.

PEDRO RICARDO MAXIMINO